Refluxo

Refluxo

por Dra. Camille Donnabella


Hoje vamos falar sobre esse assunto tão comum que gera muitas dúvidas entre os pais.

O primeiro notícia que gostaria de dizer é que os bebês vomitam! Sim, eles vomitam e isso pode ser normal, principalmente nos primeiros meses de vida. Aqueles bebês que vomitam mas continuam ganhando peso adequadamente e continuam bem, são até chamados de “vomitadores felizes”, apresentam o que chamamos de refluxo fisiológico. O refluxo como papel da conseqüência de mecanismos normais e de acontecimentos normais da vida do bebê e que na sua minoria merece um tratamento, simplesmente fazem parte da vida do bebê, assim como de todas as pessoas. É normal apresentar um pouco de refluxo em alguns momentos do dia, principalmente após as refeições, e durante os primeiros meses de vida os bebês comem com muita freqüência, estando quase sempre no período pós refeição. Além disso eles tem na alimentação apenas a ingestão de líquidos (leite) e principalmente naqueles que mamam exclusivamente o seio, há ingestão de grande volume, o que gera mais episódios de refluxo, que pode ficar no esôfago, ir ate a garganta ou sair pela boca.

É normal também que esses episódios aumentem entre dois e quatro meses e diminuem conforme o crescimento, sendo na sua maioria resolvidos até o primeiro ano de vida.


Mas então quando é que posso considerar o refluxo uma doença?


O refluxo se torna doença quando começa a atrapalhar o crescimento e desenvolvimento normal da criança, ou quando piora a qualidade de vida do bebê.

Ou seja, quando sua presença está relacionada à perda de peso ou dificuldade para ganhar peso, choro, muito choro, irritabilidade, recusa alimentar, anemia, vômitos com sangue. Todos esses pontos podem ser sintomas de refluxo-doença ou como chamamos de doença do refluxo gastroesofágico (DRGE).


E porque isso acontece?


Acontece porque o ácido que está presente no estômago volta para o esôfago provocando alguma lesão ou desencadeando os sintomas. Quando esse ácido permanece no esôfago ele gera uma inflamação, o que faz com que o bebe sinta dor, queimação e azia, gerando os outros sintomas. Esse mecanismo é multifatorial, ou seja, não existe uma única causa, sendo assim, qualquer criança que apresente o refluxo fisiológico pode evoluir para a doença do refluxo.

Por isso é necessário prestar atenção aos sinais de alarme:


  • Vômitos e regurgitações presentes após todas as mamadas, sem exceção.
  • Vômitos e regurgitações que não melhoram após seis meses de vida.
  • Criança que não perde peso, que tenha dificuldade de ganhar peso ou que para de crescer.
  • Irritabilidade, choro excessivo.
  • Bebê que se recusa a comer ou que chora durante e após as mamadas.
  • Postura anormal da cabeça, chamada de síndrome de Sandifer (como mostra a figura), presente quando o bebê sente muita dor.
  • Doenças associadas como pneumonias, faringites ou laringites de repetição, bebês chiadores.
  • Presença de sangue nas fezes ou vômitos com sangue.


E existe tratamento para a doença do refluxo?


Caso seja confirmada a doença do refluxo o tratamento deverá ser feito com medicações que aliviem a dores, diminuindo a produção do ácido e cicatrizando o local inflamado. Cada criança deve ser avaliada pelo seu pediatra individualmente pois o tratamento é particular e diferente conforme cada criança e a resposta.

Caso perceba qualquer sinal de alarme ou tenha alguma dúvida, procure e consulte o seu pediatra! Não inicie ou faça nenhum tratamento sem a prescrição e supervisão médica!

Espero ter ajudado um pouco com essas informações!

Dra. Camille Donnabella


Residente de Pediatria
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