Obesidade Infantil

Vamos falar de um tema muito comum no mundo, obesidade infantil.

por Dra. Camille Donnabella


Já sabemos que os problemas que acompanham a obesidade no adulto estão presentes nos primeiros anos de vida. É no primeiro ano de vida que ganhamos a maior porcentagem de peso, sabia? E após isso, ocorre uma desaceleração até em torno de seis anos (que é a época em que a criança tem a menor relação de peso para a altura). Depois disso existe um novo ganho de peso em relação a latira durante os anos escolares, onde ocorre o famoso estirão de crescimento, que é durante a puberdade. É de extrema importância que toda a fase de crescimento seja acompanhada por um pediatra para garantir a nutrição adequada e prevenir possíveis doenças.

Porém uma criança obesa tem mais chance de se tornar um adulto obeso. Quanto mais tempo a criança passar obesa, maior a chance. Por exemplo, criança obesa que se mantém obesa durante a idade pré-escolar tem chance de se tornar obesa, porém se ela permanecer obesa durante a adolescência, tem mais chance ainda! Pois os fatores que a fizeram se tornar obesa permanecem ou piora e surgem novos outros fatores que vão se somando e prolongando o problema.

Queridas mamães, quero ressaltar que não existe bebê que mama só leite materno obeso, ok? NÃO EXISTE ISSO! Muito pelo contrario o aleitamento materno é um grande fator protetor de obesidade. Pois o leite materno é totalmente apropriado para o bebê e atende todas as suas necessidades. Através do aleitamento materno livre demanda o bebê aprende a controlar o seu apetite e sua saciedade, pois mama quando quer, o quanto precisa e para quando está saciado. Perfeito não?! Diferente quando é usado a mamadeira (necessária em alguns casos quando prescrito pelo pediatra, sem julgamentos ok?!), pois o volume do leite é pré-estabelecido e não chega nem perto do ideal.

A introdução de outros alimentos deve ser feita a partir dos 6 meses de idade, nao deve ser feito nunca antes, mesmo para aqueles bebês que usam fórmula. E durante a fase de introdução alimentar deve-se continuar respeitando a fome e saciedade da criança. Acreditem, o seu filho mostra quando já está satisfeito! Não precisa raspar o prato, não precisa comer X colheradas, ele precisa comer até se sentir satisfeito. O apetite diminui, não é mais aquele apetite voraz do bebê, ele começa a se interessar pelo ambiente, pelos alimentos que estão sendo oferecidos para ele pois passa a ter consciência de ser um indivíduo. E seu crescimento desacelera progressivamente, ele já não precisa ganhar tanto peso, então, quando forçamos uma criança a se alimentar mais do que ela precisa e quer estamos indo para o caminho da obesidade, e acabamos trocando os alimentos saudáveis por aqueles em que a criança "aceita"mais, pois queremos que ela ingira uma quantidade determinada por nós e não por ele e por sua saciedade. Também é muito comum que a criança receba prêmios com certos alimentos, o que ensina para criança que aquela comida saudável é o castigo e aquela outra, o "prêmio". Papais, fiquem atentos a alimentação de vocês também, é preciso comer bem e saudável para que seu filho os veja fazendo isso!

Existe também a herança genética, uma criança filha de pais obesos tem mais chance de ser obesa, porém isso está muito mais relacionado aos hábitos desses pais do que de fato a herança genética. Estão percebendo a importante dos bons hábitos em uma família?!

Lembramos que tudo vira uma bola de neve, obesidade e sedentarismo, e assim outros eventos vão se somando a isso, gordura abdominal, diabetes, alteração do colesterol, triglicérides, que juntos formam a síndrome metabólica. Hoje em dia já existe uma grande parcela de crianças obesas portadoras dessa síndrome a partir de dois anos de idade, e podendo ter até antes. E quando diagnosticas em crianças, tem um caráter muito mais grave! Existe uma série de outros problemas que podem surgir com a obesidade, como fígado gorduroso, colescistite, pernas tortas, deslizamento da cabeça do fêmur, puberdade precoce, câncer de mama, câncer de intestino, entre outros.

E sabe qual a melhora forma de tratamento para a obesidade?

A PREVENÇÃO! Através dos bons hábitos da família, incluindo alimentação balanceada e atividade física.

Comer menos produtos industrializados e mais produtos naturais.

Assistir menos televisão, usar menos celular e eletrônicos e brincar mais, fazer atividades externas e esportes.

Se você suspeita de obesidade no seu filho, procure um pediatra para realizar uma avaliação.

E lembrando do mais importante: a obesidade deve ser encarada como uma doença, e como uma questão familiar, para que assim se obtenha maior sucesso na sua abordagem.

Espero ter ajudado vocês!

Até a próxima.

Dra. Camille Donnabella


Residente de Pediatria
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